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SOLIDARIEDADE

“A gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele que o faz”, segundo Machado de Assis no conto Almas Agradecidas. De norte a sul do país existem pessoas pensando e executando projetos voltados a solidariedade, ao bem estar do próximo. Diante desta realidade, ressaltamos a importância de trabalhar valores como a solidariedade, desde a infância, visando despertar a competência e sensibilidade solidária para com o outro e para com a sociedade. Nas escolas, o conceito de solidariedade firma-se no princípio da dignidade humana, e se concretiza no convívio social, na resolução de conflitos entre colegas, no diálogo entre os educandos, na entre ajuda, e na convivência com as diferenças. Mas não é só a escola que ensina. As famílias são as primeiras construtoras do ato solidário, expressando-o através do convívio familiar em casa, entre os pais e filhos.
A solidariedade firma-se como um dos princípios da formação humana do sujeito, trazendo à tona a harmonia das relações sociais e suas integrações. Para estimular os processos educativos e os sentimentos do grupo envolvido, a escola pode promover atividades que visem auxiliar nas relações interpessoais e atividades de vivência que levem a compreensão da realidade social. A ajuda ao próximo é um exercício capaz de contribuir no desenvolvimento da autonomia, da capacidade empreendedora, da autoconfiança, além de contextualizar e reforçar o aprendizado. Este é um exercício que promove desenvolvimento integral dos sujeitos.
Na sala de aula, cabe ao educador a tarefa de estimular os educandos, e despertar neles o interesse por ações solidárias, desde a ajuda a um colega, bem como trabalhos em grupo, que tenham como resultado o bem comum. O educador tem o papel de ser um interlocutor na aprendizagem do aluno, não ser apenas um reprodutor de conteúdo e sim, alguém capaz de despertar valores para a vida dos educandos.
Aos educandos a possibilidade do exercício da solidariedade no cotidiano da escola, por meio de projetos interdisciplinares, possibilita microrevoluções em âmbito local. Descortinar novas possiblidades superando o estigma das “gavetas” do conhecimento dividido em disciplinas estanques é algo que é facilitado com o exercício da solidariedade.
O conceito de solidariedade é polissêmico e por vezes ambíguo. Se faz necessário a ressignificação do conceito pois muitos o entendem a partir de uma análise assistencialista, com recortes reducionistas e limitantes. Educar para a solidariedade neste contexto requer do mediador formação sistêmica e capacidade de diálogo com a pluralidade de culturas e contextos.
De acordo com Hugo Assmann e Jung Mo Sung na contemporaneidade necessitamos despertar a sensibilidade social para que consigamos um mundo onde caibam todos, independentemente de sua condição socioeconômica, devidamente reconhecidos como sujeitos de direitos. Os autores ainda salientam o desafio de, por um lado, desenvolver empreendedores capazes de tomar iniciativas inovadoras; e, por outro, seres humanos que entendam que a felicidade dos outros faz parte de sua própria felicidade.

Adriano Brollo
Diretor Colégio Salvatoriano Imaculada Conceição
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