Língua presa em bebês: entenda os sinais e quando buscar ajuda

A anquiloglossia, popularmente conhecida como língua presa, é uma alteração que pode estar presente desde o nascimento e limitar os movimentos da língua do bebê. Embora nem todos os casos provoquem dificuldades, a condição merece atenção, principalmente quando interfere na amamentação.

Os Hospitais Salvatorianos Divino Salvador e Santa Maria orientam pais e responsáveis a observarem o comportamento do bebê durante as mamadas e a procurarem avaliação de profissionais de saúde diante de dificuldades persistentes.

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), estudos apontam que a prevalência da anquiloglossia varia de 4% a 11% entre recém-nascidos e de 7% a 10% entre crianças com menos de um ano de idade.

A anquiloglossia ocorre quando o frênulo lingual, tecido localizado abaixo da língua, restringe sua mobilidade. Essa limitação pode variar de intensidade e, por isso, a aparência do frênulo, isoladamente, não determina a necessidade de tratamento. A avaliação deve considerar principalmente se existe algum comprometimento funcional.

Em casos mais acentuados, a limitação dos movimentos pode ser percebida durante o choro ou quando o bebê tenta elevar a língua. Em algumas situações, a ponta da língua pode assumir um formato semelhante a um coração devido à restrição provocada pelo frênulo.

Além das características anatômicas, é importante observar o momento da amamentação. O bebê pode apresentar dificuldade para iniciar ou manter uma pega adequada, sucção pouco eficiente, mamadas muito demoradas ou com interrupções frequentes, irritabilidade durante o aleitamento e dificuldade no ganho adequado de peso. A mãe também pode sentir dor durante as mamadas e apresentar fissuras nos mamilos em razão de uma pega inadequada.

No entanto, nem toda dificuldade para mamar está relacionada à língua presa. A amamentação envolve aprendizado e adaptação tanto da mãe quanto do bebê e, em muitos casos, orientações sobre posicionamento, pega e manejo podem contribuir para melhorar o aleitamento.

Por isso, a avaliação de profissionais capacitados é fundamental. Quando a anquiloglossia realmente compromete os movimentos da língua, ela pode dificultar a pega e a sucção e, sem acompanhamento adequado, prejudicar o aleitamento e favorecer o desmame precoce. Com o crescimento da criança, limitações importantes da mobilidade da língua também podem repercutir na alimentação e na fala.

O chamado Teste da Linguinha auxilia na identificação precoce de alterações no frênulo e na movimentação da língua do recém-nascido. Diante de suspeitas ou dificuldades persistentes durante a amamentação, a família deve conversar com o pediatra e com a equipe de saúde que acompanha o bebê para receber a orientação adequada.

O tratamento depende da intensidade da alteração e, principalmente, do impacto nas funções da língua. Em alguns casos, o acompanhamento e as orientações relacionadas à amamentação podem ser suficientes. Quando existe limitação funcional importante e há indicação profissional, pode ser recomendada a frenotomia lingual, procedimento que libera o frênulo e melhora a mobilidade da língua.

O diagnóstico correto ajuda a evitar tanto procedimentos desnecessários quanto atrasos no tratamento de bebês que realmente apresentam comprometimento funcional. Por isso, pais e responsáveis não devem realizar diagnósticos por conta própria.

Os Hospitais Salvatorianos Divino Salvador e Santa Maria reforçam a importância do acompanhamento desde os primeiros dias de vida e da busca por orientação profissional diante de qualquer dificuldade, contribuindo para um desenvolvimento mais saudável e seguro da criança.

Fontes consultadas: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

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