HSDS inova com identificação de pacientes

Estratégia está alinhada aos protocolos do Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS)

Os pacientes do Hospital Salvatoriano Divino Salvador já podem ver mudanças acontecendo nas rotinas de internação. Entrou em vigor no mês de novembro uma nova forma de identificação dos pacientes internados no HSDS, em Videira, com o uso de pulseirinhas específicas, com diferentes funções.

De acordo com a enfermeira Daivana Kunz, coordenadora de comissões do HSDS, a nova identificação é feita através de pulseirinhas impressas digitalmente no momento da internação. “Antes, nós preenchíamos a pulseirinha manualmente, o que podia trazer alguns transtornos como uma incoerência no nome do paciente, algum borrão durante o período de internação, etc. Agora a pulseirinha é impressa e à prova d’água para que todas as informações estejam visíveis sempre”, explica. Para tanto, o HSDS investiu na aquisição de duas impressoras específicas para este trabalho e na capacitação das equipes de enfermagem e recepção como forma de disseminar a cultura da segurança.

O tema da segurança do paciente ganhou relevância por volta do ano 1999, depois da divulgação do relatório “Errar é humano” do Institute of Medicine (IOM), baseado em duas pesquisas de avaliação da incidência de eventos adversos em revisões retrospectivas de prontuários em hospitais de Nova York, Utah e Colorado. A partir do estudo, definiu-se em primeiro lugar o termo evento adverso como o dano causado pelo cuidado à saúde e não pela doença de base. Em um segundo momento o relatório apontou que cerca de 100 mil pessoas morrem anualmente em hospitais dos EUA em decorrências de eventos adversos, uma taxa de mortalidade maior do que a vista para pacientes com HIV positivo e câncer de mama.

Em território nacional, dados da Anvisa indicam a ocorrência de 19.833 notificações de eventos adversos registrados pelos Núcleos de Segurança do Paciente no sistema de notificações da Agência durante o período de julho de 2020 a junho de 2021. Os incidentes notificados com maior frequência foram: 1) Lesão por pressão (ou escarras); 2) Falhas durante a assistência à saúde; 3) Falhas envolvendo cateter venoso; 4) Queda do paciente; 5) Falhas envolvendo sondas; 6) Falhas da identificação do paciente; 7) Falhas na documentação; 8) Falhas na administração de dietas; 9) Falhas nas atividades administrativas; e 10) Extubação endotraqueal acidental.

Nos Hospitais, foram mais comuns as notificações de lesão por pressão, enquanto nas emergências esteve em alta a evasão do paciente. Na divisão por região, o Sudeste lidera os incidentes ao responder por 38,66% dos casos. A região Sul ocupa o terceiro lugar, com 19,44% do total de casos. “Alguns estudos indicam que 50% dos eventos adversos são evitáveis, por isso a segurança do paciente foi incorporada aos atributos da qualidade das instituições de saúde ao redor do mundo. O que vemos, seja pela literatura especializada, seja pela experiência ou pela formação continuada, é que pequenos investimentos podem trazer grandes resultados para a criação de um sistema global de assistência à saúde capaz de minimizar os erros humanos”, esclarece Daivana.

No Brasil, o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), instituído pelo Ministério da Saúde através da Portaria MS/GM nº 529, de 1º de abril de 2013, busca contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos da área em território nacional, sejam públicos ou privados. Com quatro eixos, o PNSP estimula uma prática assistencial segura; o envolvimento do cidadão na sua segurança; a inclusão do tema no ensino e o incremento de pesquisas sobre o assunto. Para tanto, deixa-se de lado a antiga ideia de que o profissional da saúde não erra para buscar ativamente a criação de mecanismos que evitem que o erro atinja o paciente.

Daivana aponta o conjunto de protocolos básicos definidos pela OMS para estimular uma prática assistencial segura. São eles: a prática de higiene das mãos; a cirurgia segura; a segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; a identificação dos pacientes; a comunicação no ambiente dos estabelecimentos de saúde; a prevenção de quedas; úlceras por pressão; transferência de pacientes entre pontos de cuidado; e uso seguro de equipamentos e materiais. “A OMS recomenda seguir estes protocolos como parte dos seus desafios globais, onde estão a higiene das mãos e a cirurgia segura, e como parte do que chamam de solução de segurança para o paciente, onde se busca identificar melhor os medicamentos com nomes e embalagens semelhantes, garantir a medicação correta quando há necessidade de conciliar medicamentos, a comunicação correta durante a transmissão do caso entre a equipe e a identificação do paciente”, diz.

Assim, para reduzir as possibilidades de eventos adversos, o HSDS também passou a identificar os pacientes de acordo com os riscos. Já é possível encontrar nos leitos pacientes identificados com pulseiras coloridas, que sinalizam diferentes riscos e por consequência um maior cuidado das equipes médica e de enfermagem. “Temos a identificação dos pacientes com risco de queda, especialmente para aqueles que já possuem um histórico de queda da própria altura, labirintite ou outras doenças de base que possam promover a queda. Também identificamos pacientes com risco de alergia, risco de evasão do hospital, e risco de lesão por pressão”, conta Daivana. Com diferentes cores, as pulseirinhas oferecem um aporte visual à equipe de enfermagem para a identificação dos riscos e promoção dos cuidados necessários para que o bem-estar do paciente esteja sempre em primeiro lugar.

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