{"id":3536,"date":"2012-11-06T00:00:00","date_gmt":"2012-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.redesalvatoriana.org.br\/bomconselho\/blog\/2012\/11\/06\/dica-de-livro-durante-a-26-feira-tradicao-da-historia-oral\/"},"modified":"2012-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2012-11-06T00:00:00","slug":"dica-de-livro-durante-a-26-feira-tradicao-da-historia-oral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redesalvatoriana.org.br\/bomconselho\/blog\/2012\/11\/06\/dica-de-livro-durante-a-26-feira-tradicao-da-historia-oral\/","title":{"rendered":"Dica de Livro durante a 26\u00aa Feira: tradi\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria oral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o existe consenso sobre a origem do xadrez. Mas a mais aceita &eacute; a vers&atilde;o indiana, recontada pelo professor e escritor brasileiro J&uacute;lio C&eacute;sar de Mello e Souza (sob o pseud&ocirc;nimo Malba Tahan) no livro O Homem que Calculava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nele, um ex&iacute;mio calculista persa narra hist&oacute;rias de proezas matem&aacute;ticas na Bagd&aacute; do s&eacute;culo XIII. Apesar de n&atilde;o ser especificamente um livro did&aacute;tico, o livro fez sucesso porque preza a passagem de cultura e sabedoria para os seus leitores, ensinando matem&aacute;tica via fic&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente j&aacute; chegou a 75&ordf; edi&ccedil;&atilde;o &ndash; num pa&iacute;s onde o n&uacute;mero de leitores &eacute; pequeno -, portanto, &eacute; uma leitura altamente recomendada. A Biblioteca Geral do Bom Conselho, ali&aacute;s, possui tr&ecirc;s exemplares d&rsquo;O Homem que Calculava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, confira um resumo do cap&iacute;tulo XVI, (com passagens do pr&oacute;prio autor entre aspas) Onde se conta a famosa lenda sobre a origem do jogo de xadrez, e de como seu inventor foi nomeado primeiro-ministro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H&aacute; um tempo impreciso, reinou na &Iacute;ndia um soberano chamado Iadava, um dos mais ricos e generosos de seu tempo. Durante a guerra, ele foi for&ccedil;ado a pegar da espada para repelir um ataque do aventureiro Varangul e seu ex&eacute;rcito. &ldquo;O choque violento das for&ccedil;as juncou de mortos os campos de Dacsina etingiu de sangue as &aacute;guas sagradas do rio Sandhu&rdquo;. Mas, montando um plano de batalha, o soberano aniquilou seu inimigo e salvou seu povo. Infelizmente, tamb&eacute;m perdeu a vida, lutando ao seu lado, o pr&iacute;ncipe. Seu filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta ao pal&aacute;cio, o rei s&oacute; sa&iacute;a de seus aposentos para atender aos ministros. E s&oacute; &ldquo;quando algum grave problema nacional o chamava&rdquo;. Tesouros imensos e elefantes de guerra n&atilde;o apagavam sua tristeza. A batalha em que morreu o pr&iacute;ncipe lhe consumia os pensamentos. &ldquo;O infeliz monarca passava longas horas tra&ccedil;ando, sobre uma grande caixa de areia, as diversas manobras executadas pelas tropas&rdquo;. Quando terminava, apagava e come&ccedil;ava de novo. Os ministros se apiedavam dele. &ldquo;Infeliz monarca&rdquo;, murmuravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certo dia, um jovem pobre e modesto, que morava a trinta dias de caminhada do pal&aacute;cio, e que vinha disputando uma audi&ecirc;ncia com o soberano havia muito tempo, foi finalmente chamado, por que o rei Iadava sentiu uma disposi&ccedil;&atilde;o inesperada. O jovem informou seu nome,Lahur Sessa, e o desejo de acabar com a tristeza do rei. Ele oferecia um jogo, para distra&iacute;-lo e &ldquo;abrir em seu cora&ccedil;&atilde;o as portas de novas alegrias&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o rei era curioso, logo abriu o pacote do presente presente: um tabuleiro quadrado,dividido em 64 casas iguais. Sobre ele repousavam duas cole&ccedil;&otilde;es de pe&ccedil;as de cores diferentes, umas brancas, outras pretas &ndash; mas ambas tinham o mesmo n&uacute;mero e tipo de pe&ccedil;as, o mesmo formato, e seguiam as mesmas regras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lahur Sessa prendeu a aten&ccedil;&atilde;o do rei e dos s&uacute;ditos explicando os tipos de pe&ccedil;as, come&ccedil;ando pelospe&otilde;es, ou a infantaria, e se debru&ccedil;ando sobre todos os outros: elefantes de guerra [conhecidos por n&oacute;s como torres],a cavalaria, os ministros [conhecidos por n&oacute;s como bispos] e o pr&oacute;prio rei, que parecia fraco sozinho, mas na verdade dependia da prote&ccedil;&atilde;o das outras pe&ccedil;as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lahur Sessa seguia sua explica&ccedil;&atilde;o at&eacute; ter de fazer uma pausa quando apresentou a rainha, a pe&ccedil;a mais poderosa do jogo. O soberano ficou ressabiado. Ora, &ldquo;e por que &eacute; a rainha mais forte e mais poderosa que o pr&oacute;prio rei?&rdquo;, perguntou. &ldquo;Porque a rainha representa [rebateu o jovem] o patriotismo do povo. A maior for&ccedil;a do trono reside, principalmente, na exalta&ccedil;&atilde;o de seus s&uacute;ditos&rdquo;. Sem patriotismo eles n&atilde;o teriam dado a vida na batalha. Tampouco seu filho&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o rei n&atilde;o se lembrou disso, aprendeu r&aacute;pido as regras do jogo e, em pouco tempo, ganhava at&eacute; dos inteligentes ministros. O inventor do jogo esclarecia d&uacute;vidas e, &agrave;s vezes, at&eacute; sugeria um plano de ataque ou defesa, mas sempre em tom respeitoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em determinado momento do jogo, o rei notou que a batalha que tanto reproduziu na sua caixa de areia voltava, na posi&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as no tabuleiro, para assombr&aacute;-lo. Se intrometendo de novo, Lahur Sessa ponderou que, para que o rei ganhasse o jogo, deveria sacrificar a pe&ccedil;a que o monarca tanto defendia, por algumaraz&atilde;o, desdeo in&iacute;cio da partida &ndash; um ministro. O que o sagaz Sessa queria provar &eacute; que, por mais triste que seja, uma fatalidade como a morte de um pr&iacute;ncipe pode garantir &ldquo;a paz e a liberdade de um povo&rdquo;, argumentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rei ficou impressionado e foi todo elogios com o inventor: &ldquo;movendo essas t&atilde;o simples pe&ccedil;as, aprendi que um rei nada vale sem o aux&iacute;lio e a dedica&ccedil;&atilde;o constante de seus s&uacute;ditos. E que, &agrave;s vezes, o sacrif&iacute;cio de um simples pe&atilde;o vale mais, para a vit&oacute;ria, do que a perda de uma poderosa pe&ccedil;a&rdquo;. Para demonstrar sua gratid&atilde;o, o rei concedeu ao plebeu um pedido, qualquer coisa para recompens&aacute;-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lahur Sessa n&atilde;o demonstrou surpresa. J&aacute; os ministros ficaram apavorados diante da oportunidade de cobi&ccedil;a. Mas Sessa n&atilde;o queria mais que o conforto do rei, e afirmou estar satisfeito. O rei manifestou preocupa&ccedil;&atilde;o e quis o jovem ambicioso: &ldquo;a mod&eacute;stia, quando excessiva, &eacute; como o vento que apaga o archote, cegando o viandante nas trevas de uma noite intermin&aacute;vel&rdquo;.Ele exigiu um pedido do mo&ccedil;o, e ofereceu ouro e j&oacute;ias.Pal&aacute;cios e prov&iacute;ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N&atilde;o querendo ser descort&ecirc;s, o plebeu aceitou o pagamento do rei. Mas em gr&atilde;os de trigo. &ldquo;Gr&atilde;os de trigo? estranhou o rei&rdquo;. Sim, confirmou Lahur Sessa, ganharia um gr&atilde;opela&nbsp;1&ordf; casa do tabuleiro, dois pela 2&ordf;, quatro pela 3&ordf;, oito pela 4&ordf;, e assim por diante. N&atilde;o s&oacute; o rei como os ministros deitaram na gargalhada pela desambi&ccedil;&atilde;o, mas, principalmente, pelo pedido estapaf&uacute;rdio do jovem. O rei concordou e prometeu os seus modestos gr&atilde;os de trigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram, ent&atilde;o, chamados matem&aacute;ticos para por na ponta do l&aacute;pis a quantia a ser paga para Lahur Sessa dentro de 64 dias. O rei recebeu a resposta com espanto. Foi o mais s&aacute;bio dos algebristas quem contou ao rei que, depois de uma hora de c&aacute;lculos, que eles chegaram a uma primeira conclus&atilde;o, de que o n&uacute;mero de gr&atilde;os de trigo era inconceb&iacute;vel para a imagina&ccedil;&atilde;o humana (dois elevado no expoente 64). Mas ela estava errada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aliviado, o rei ouviu a conclus&atilde;o seguinte. Refazendo seus c&aacute;lculos, os algebristas descobriram que a por&ccedil;&atilde;o equivale a uma montanha que, tendo como base a pr&oacute;pria cidade de Taligana, seria 100 vezes mais alta do que o Himalaia! &ldquo;A &Iacute;ndia inteira, semeados todos os seus campos, taladas todas as suas cidades&rdquo;, contava o matem&aacute;tico, apavorado, a &Iacute;ndia inteira &ldquo;n&atilde;o produziria em2.000 s&eacute;culos a quantidade de trigo que, pela vossa promessa, cabe, em plenodireito, ao jovem Sessa!&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre surpreso e assombrado, o reipela primeira vez,n&atilde;o podia cumprir sua palavra. Mas Lahur Sessa, como bom s&uacute;dito que era, poupou o rei de mais uma afli&ccedil;&atilde;o. Declarou publicamente que abria m&atilde;o do pedido e, ainda com respeito, voltou-se ao reie disse: &ldquo;os homens mais avisados iludem-se, n&atilde;o s&oacute; diante da apar&ecirc;ncia enganadora dos n&uacute;meros, mas tamb&eacute;m com a falsa mod&eacute;stia dos ambiciosos. Infeliz daquele que toma sobre os ombros o compromisso de uma d&iacute;vida cuja grandeza n&atilde;o pode avaliar com a t&aacute;bua de c&aacute;lculo de sua pr&oacute;pria arg&uacute;cia. Mais avisado &eacute; o que muito pondera e pouco promete&rdquo;! Tamanha a sabedoria do jovem que o rei nomeou-lhe primeiro-ministro, algo que podia prometer&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o existe consenso sobre a origem do xadrez. 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