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Notícias
Exposição de Camisetas com Logomania – 8º ano
As turmas do 8º ano confeccionaram, junto com a professora de Filosofia, Andreisse Alam, camisetas com logomania, após estudos em sala de aula e com apoio do poema “Eu, etiqueta de Carlos Drummond de Andrade”.
Você sabe o que é LOGOMANIA?
Desde o final dos anos 1990, o uso dos logotipos em peças de roupa foram considerados fora de moda, símbolo máximo da ostentação descabida – o que era abominado com o minimalismo vigente na década. Também vale comentar sobre a batalha anti-capitalista que rolava no mundo inteiro nessa época.
De alguns anos para cá, a logomania tem ensaiado sua volta! Não estamos falando dos logotipos pequenos de marca como em camisas pólo da Lacoste ou tênis com símbolo da Nike, mas sim de camisetas inteiras com estampa corrida do símbolo de uma marca específica como Louis Vuitton.
A febre começou com os moletons da Kenzo e camisetas Opening Ceremony, seguido pela eterna Moschino que vira e mexe coloca seu logotipo para jogo nas passarelas, principalmente em sua última coleção à la fast food.
Uma das hipóteses para que essa mania tenha voltado com tudo é contra a massificação das fast-fashion, que em pouco tempo copiam tudo das passarelas internacionais e vendem antes mesmo da marca! Afinal, logotipo não se pode copiar! Claro que sempre rola as versões inspired como a camiseta Cèline virou Fèline para o grupo contra-cultura, que prefere ironizar uma marca ao vestir claramente seu nome.
“EU, ETIQUETA
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comparo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar
cada vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.”
Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Lisboa: Publicações Europa-América, 1989.
