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Exposição – Construção: Chico Buarque

Diante das inúmeras perspectivas que a palavra pode ter os alunos das turmas da 2ª série do Ensino Médio, em busca dos significantes das linguagens, partiram em uma análise dos diversos pontos de vista e do valor lexical que uma palavra pode alcançar diante de um contexto. Na disciplina de Língua Portuguesa, com o professor Luan H. Fogolari, divididos em grupos, teceram suas variadas interpretações da canção “Construção”, do poeta Chico Buarque e, com elas, criaram suas formas de representação do cotidiano dos inúmeros trabalhadores brasileiros que aqui apresentamos. 

 

Em um formato tipicamente épico, “Construção” narra a história de um trabalhador da construção civil morto no exercício de sua profissão, em seu último dia de vida, desde a saída de casa para o trabalho (“Beijou sua mulher como se fosse a última”) até o momento da queda mortal (“E se acabou no chão feito um pacote flácido”). O narrador observa, organiza e comunica os acontecimentos, ocorridos numa história circular, cantada em melodia reiterativa e que modifica o ângulo de observação a cada repetição da letra com a troca de comparações (“Ergueu no patamar quatro paredes sólidas/mágicas/flácidas”), mas que no final encaminha para o mesmo fim, uma morte.


A letra contém uma forte crítica à alienação do trabalhador na sociedade capitalista moderna e urbana, reduzido a condição mecânica – intensificado especialmente por seus atos no terceiro bloco da canção (“máquina”, “lógico”). Quando esse trabalhador (“um pacote flácido/tímido/bêbado”) morre, a constatação é de que sua morte apenas atrapalha o “tráfego”, o “público” ou o “sábado”. Ainda assim, Chico declarou, em entrevista concedida à revista Status, em 1973, que “Construção” não era para ele uma música de denúncia ou protesto. “(…) Em Construção, a emoção estava no jogo de palavras. Agora, se você coloca um ser humano dentro de um jogo de palavras, como se fosse… um tijolo – acaba mexendo com a emoção das pessoas.”



O autor emprega ousados processos de construção poética como, por exemplo, a alternância das proparoxítonas finais, “como se fossem peças de um jogo num tabuleiro”, segundo o próprio Chico.  A letra é dividida em três blocos. Nos dois primeiros, compostos por 17 versos, e mais seis no último bloco. Nos dois primeiros blocos é possível perceber o nítido jogo de palavras proparoxítonas criado por Chico.

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