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Meu filho quer um celular. E agora?
– Mamãe, eu queria tanto ter um celular!
– Para que um celular filha?
– Para usar aquele “negocinho” no ouvido e ouvir minhas músicas.
O diálogo aconteceu entre a jornalista e professora da Universidade Positivo (UP) Sandra Nodari e sua filha Clara Nodari Romano, de cinco anos. É cada vez mais comum crianças de todas as idades desejarem (e até possuírem) um telefone celular. De acordo com o Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), em 2010, 24% das crianças brasileiras de cinco a nove anos usaram um telefone celular. Dessas, 14% tem o aparelho próprio. Essa realidade coloca o Brasil entre os países aonde há mais linhas de telefonia móvel. Temos mais de 263 milhões de chips de celulares habilitados, conforme o levantamento de 2012, feito pela União Internacional de Telecomunicações, entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). As cifras fazom com que seja praticamente impossível impedir as crianças e adolescentes de ter contato com os aparelhos. Tanto que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD), somente no ano passado possuía telefones móveis. Mas para qual finalidade as crianças querem um celular?
Clara Nodari Romano queria ouvir música e esse é um dos aspectos que mais despertam nos baixinhos o desejo de possuir os eletrônicos. A jornalista Sandra admite que os filhos têm contato com os aparelhos. Eles pedem os celulares dos pais para jogar ou ouvir música ou acessar a internet. ‘Quando ela disse isso [que queria ouvir música] nós ruímos. O que ela quer é um Ipod ou algo do gênero”, conta.
A alternativa que pode ser interessante aos pais é, então, definir qual é a função do celular, como fez Sandra.

Para Deyse Crystine de Campos, assessora de Educação Infantil da Editora Positivo e doutoranda pela Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (UCES), de Buenos Aires, a partir daí é possível estabelecer uma “idade ideal” para as crianças usarem um telefone móvel. ‘Antes de pensar na idade ideal´, devemos saber qual é a função dos celulares. Se é comunicativa, para os pais e familiares entrarem em contato com a criança, a idade indicada é quando ela entende o mecanismo de fazer e receber ligações”, explica a especialista. Entretanto, aos pais, existe ainda uma tarefa árdua: como lidar com as vontades das crianças? Segundo Deyse, as gerações mais novas muitas vezes não usam o celular para fazer ligações, então é preciso refletir acerca dos padrões de consumo. É necessário saber dizer não e ‘driblar´ o clássico ´meus amigos têm´.
Outro fator que mexe com o coração dos pais é a lembrança da infância difícil e o desejo de querer proporcionar aos filhos o conforto que não tiveram quando crianças. “Quem se acostuma a ter tudo aprende a não desejar, a não saber o que quer”, adverte Deyse.
IMPORTANTE:
O celular não precisa ser tachado como vilão. É claro que existem pontos negativos em relação ao uso, mas o aparelho também pode trazer benefícios para pais e filhos, desde que usado com prudência.

Conectados
Para as crianças que já têm celular, é preciso estabelecer limites. A assessora de Educação Infantil da Editora Positivo orienta os pais a estabelecerem limites para a utilização dos aparelhos. “Não obrigá-los a desligar ou deixar de usar, mas dosar o uso e usufruir os momentos presenciais”, ensina.
O estudante Murilo de Campos Soares, de 12 anos, usa celular desde os sete para mandar mensagemd e texto, jogar e escutar músicas, mas apenas amigos e familiares têm o númerod e contato. A professora Simone de Campos Soares, mãe de Murilo, conta que o adolescente pediu o celular quando criança e concorda que com a idade é complicado porque para o adolescente e jovens é algo comum, faz parte da vida naturalmente. Além disso, o celular tambem é útil para manter contato com ele quando não estamos juntos”, conta. Só para mandar mensagens e fazer ligações é rpeciso ter créditos no aparelho celular, e aí os adolescentes dependem dos pais. ‘Minha mãe ou meu pai pagam a conta do celular”, diz Murilo. A média mensal de gasto é R$ 13, que somados, contabilizam R$ 169 por ano. Não parece muito, mas os pais devem ficar atentos e controlar os gastos.

Fique atento
Uma dica importante aos pais é o controle dos acessos de filhos no celular. Deyse salienta que é preciso impor limites. “Tem que estabelecer um valor de uso e, em situações sociais, usar o mínimo possível”, explica. A professora Simone, alémd e controlar o gasto médio em R$ 13, também confere as mensagfens e ligações de Murilo. “Não vejo todas, mas ‘dou uma olhada’ para não invadir a privacidade dele”, revela.
O medo de os filhos acessarem redes sociais, trocarem telefonemas ou mensagens com desconhecidos é natural. O ideal é conversar com as crianças e adolescentes sobre os riscos e orientá-los a não atender ligações de estranhos e não passar o número sem autorização dos pais. Depois disso, é só aproveitar o que a tecnologia tem para oferecer.
Fonte:
Edição Especial Família- Revista Atividades & Experiências – Editora Positivo
