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Dica de Livro durante a 26ª Feira: tradição da história oral

Não existe consenso sobre a origem do xadrez. Mas a mais aceita é a versão indiana, recontada pelo professor e escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza (sob o pseudônimo Malba Tahan) no livro O Homem que Calculava.

 

Nele, um exímio calculista persa narra histórias de proezas matemáticas na Bagdá do século XIII. Apesar de não ser especificamente um livro didático, o livro fez sucesso porque preza a passagem de cultura e sabedoria para os seus leitores, ensinando matemática via ficção.

 

Surpreendentemente já chegou a 75ª edição – num país onde o número de leitores é pequeno -, portanto, é uma leitura altamente recomendada. A Biblioteca Geral do Bom Conselho, aliás, possui três exemplares d’O Homem que Calculava.

 

Abaixo, confira um resumo do capítulo XVI, (com passagens do próprio autor entre aspas) Onde se conta a famosa lenda sobre a origem do jogo de xadrez, e de como seu inventor foi nomeado primeiro-ministro.

 

Há um tempo impreciso, reinou na Índia um soberano chamado Iadava, um dos mais ricos e generosos de seu tempo. Durante a guerra, ele foi forçado a pegar da espada para repelir um ataque do aventureiro Varangul e seu exército. “O choque violento das forças juncou de mortos os campos de Dacsina etingiu de sangue as águas sagradas do rio Sandhu”. Mas, montando um plano de batalha, o soberano aniquilou seu inimigo e salvou seu povo. Infelizmente, também perdeu a vida, lutando ao seu lado, o príncipe. Seu filho.

 

De volta ao palácio, o rei só saía de seus aposentos para atender aos ministros. E só “quando algum grave problema nacional o chamava”. Tesouros imensos e elefantes de guerra não apagavam sua tristeza. A batalha em que morreu o príncipe lhe consumia os pensamentos. “O infeliz monarca passava longas horas traçando, sobre uma grande caixa de areia, as diversas manobras executadas pelas tropas”. Quando terminava, apagava e começava de novo. Os ministros se apiedavam dele. “Infeliz monarca”, murmuravam.

 

Certo dia, um jovem pobre e modesto, que morava a trinta dias de caminhada do palácio, e que vinha disputando uma audiência com o soberano havia muito tempo, foi finalmente chamado, por que o rei Iadava sentiu uma disposição inesperada. O jovem informou seu nome,Lahur Sessa, e o desejo de acabar com a tristeza do rei. Ele oferecia um jogo, para distraí-lo e “abrir em seu coração as portas de novas alegrias”.

 

Como o rei era curioso, logo abriu o pacote do presente presente: um tabuleiro quadrado,dividido em 64 casas iguais. Sobre ele repousavam duas coleções de peças de cores diferentes, umas brancas, outras pretas – mas ambas tinham o mesmo número e tipo de peças, o mesmo formato, e seguiam as mesmas regras.

 

Lahur Sessa prendeu a atenção do rei e dos súditos explicando os tipos de peças, começando pelospeões, ou a infantaria, e se debruçando sobre todos os outros: elefantes de guerra [conhecidos por nós como torres],a cavalaria, os ministros [conhecidos por nós como bispos] e o próprio rei, que parecia fraco sozinho, mas na verdade dependia da proteção das outras peças.

 

Lahur Sessa seguia sua explicação até ter de fazer uma pausa quando apresentou a rainha, a peça mais poderosa do jogo. O soberano ficou ressabiado. Ora, “e por que é a rainha mais forte e mais poderosa que o próprio rei?”, perguntou. “Porque a rainha representa [rebateu o jovem] o patriotismo do povo. A maior força do trono reside, principalmente, na exaltação de seus súditos”. Sem patriotismo eles não teriam dado a vida na batalha. Tampouco seu filho…

 

Mas o rei não se lembrou disso, aprendeu rápido as regras do jogo e, em pouco tempo, ganhava até dos inteligentes ministros. O inventor do jogo esclarecia dúvidas e, às vezes, até sugeria um plano de ataque ou defesa, mas sempre em tom respeitoso.

 

Em determinado momento do jogo, o rei notou que a batalha que tanto reproduziu na sua caixa de areia voltava, na posição das peças no tabuleiro, para assombrá-lo. Se intrometendo de novo, Lahur Sessa ponderou que, para que o rei ganhasse o jogo, deveria sacrificar a peça que o monarca tanto defendia, por algumarazão, desdeo início da partida – um ministro. O que o sagaz Sessa queria provar é que, por mais triste que seja, uma fatalidade como a morte de um príncipe pode garantir “a paz e a liberdade de um povo”, argumentou.

 

O rei ficou impressionado e foi todo elogios com o inventor: “movendo essas tão simples peças, aprendi que um rei nada vale sem o auxílio e a dedicação constante de seus súditos. E que, às vezes, o sacrifício de um simples peão vale mais, para a vitória, do que a perda de uma poderosa peça”. Para demonstrar sua gratidão, o rei concedeu ao plebeu um pedido, qualquer coisa para recompensá-lo.

 

Lahur Sessa não demonstrou surpresa. Já os ministros ficaram apavorados diante da oportunidade de cobiça. Mas Sessa não queria mais que o conforto do rei, e afirmou estar satisfeito. O rei manifestou preocupação e quis o jovem ambicioso: “a modéstia, quando excessiva, é como o vento que apaga o archote, cegando o viandante nas trevas de uma noite interminável”.Ele exigiu um pedido do moço, e ofereceu ouro e jóias.Palácios e províncias.

 

Não querendo ser descortês, o plebeu aceitou o pagamento do rei. Mas em grãos de trigo. “Grãos de trigo? estranhou o rei”. Sim, confirmou Lahur Sessa, ganharia um grãopela 1ª casa do tabuleiro, dois pela 2ª, quatro pela 3ª, oito pela 4ª, e assim por diante. Não só o rei como os ministros deitaram na gargalhada pela desambição, mas, principalmente, pelo pedido estapafúrdio do jovem. O rei concordou e prometeu os seus modestos grãos de trigo.

 

Foram, então, chamados matemáticos para por na ponta do lápis a quantia a ser paga para Lahur Sessa dentro de 64 dias. O rei recebeu a resposta com espanto. Foi o mais sábio dos algebristas quem contou ao rei que, depois de uma hora de cálculos, que eles chegaram a uma primeira conclusão, de que o número de grãos de trigo era inconcebível para a imaginação humana (dois elevado no expoente 64). Mas ela estava errada.

 

Aliviado, o rei ouviu a conclusão seguinte. Refazendo seus cálculos, os algebristas descobriram que a porção equivale a uma montanha que, tendo como base a própria cidade de Taligana, seria 100 vezes mais alta do que o Himalaia! “A Índia inteira, semeados todos os seus campos, taladas todas as suas cidades”, contava o matemático, apavorado, a Índia inteira “não produziria em2.000 séculos a quantidade de trigo que, pela vossa promessa, cabe, em plenodireito, ao jovem Sessa!”.

 

Entre surpreso e assombrado, o reipela primeira vez,não podia cumprir sua palavra. Mas Lahur Sessa, como bom súdito que era, poupou o rei de mais uma aflição. Declarou publicamente que abria mão do pedido e, ainda com respeito, voltou-se ao reie disse: “os homens mais avisados iludem-se, não só diante da aparência enganadora dos números, mas também com a falsa modéstia dos ambiciosos. Infeliz daquele que toma sobre os ombros o compromisso de uma dívida cuja grandeza não pode avaliar com a tábua de cálculo de sua própria argúcia. Mais avisado é o que muito pondera e pouco promete”! Tamanha a sabedoria do jovem que o rei nomeou-lhe primeiro-ministro, algo que podia prometer…

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